Criando um Mundo: Parte 1 – As Fundações

Se você, assim como eu, for predominantemente um Mestre Autor, então preparação é extremamente importante, e nenhuma preparação é tão importante e complexa quanto a criação de um novo mundo. Aqui nós vamos nos focar em criar um mundo novo para Dungeons & Dragons.

D&D oferece diversos mundos já criados: Forgotten Realms, Greyhawk, Eberron, Dark Sun, etc… Todos esses mundos tem um mapa, locais definidos, NPCs definidos e pontos de interesse. Esse é o tipo de coisa que precisaremos criar para poder ter um local pronto para nossos jogadores explorarem.

Também por favor mantenha em mente que, por mais que nós iremos trabalhar muito nesse mundo, não podemos nos apegar demais à ele. Nosso mundo deve ser maleável, e os jogadores devem ser capazes de alterar muita coisa dentro dele.

Então vamos começar com a parte 1 da série de artigos Criando um Mundo.

Definindo as Principais Características

O primeiro passo na criação de um mundo é definir como ele é na sua forma mais geral. Para isso, nós devemos tratar dos seguintes assuntos: Atmosfera, Magia, Raças, Religião, Política e Economia.

Atmosfera

O mundo pode ser muito diferente dependendo da atmosfera que nós queremos dar à ele. A questão principal que nós temos que nos perguntar é: Ele é um mundo novo ou um mundo antigo? Seus jogadores serão os primeiros grandes heróis de um mundo que ainda está tentando se definir ou os viajantes em um mundo antigo e marcado por história?

Para o nosso mundo, vamos dizer que ele é um mundo novo. Um local onde as torres dos primeiros grandes impérios ainda brilham. Muito do mundo ainda é desconhecido, e conflitos são comuns enquanto cada império tenta controlar um pouco mais de território.

Neste mundo, não existem locais seguros além das muralhas das cidades, e bordas ainda são conceitos que não foram colocados em prática.

Magia

Magia sempre é um ponto sensível. Quanta magia existe nesse mundo? Ela é comum e acessível, ou vista como tabú e feita apenas em total sigilo?

No nosso caso, vamos ficar com a primeira opção. Este é um mundo novo que está apenas começando a descobrir o seu potencial. Magia é amplamente usada, e magos experientes ergueram escolas para ensinar aqueles que se interessam e mostram potencial para dominar esta arte.

Aventureiros frequentemente terão auxílio de magia, normalmente na forma de itens mágicos que existem dentro de cavernas e masmorras, ciosamente guardados por hordas de inimigos e até mesmo por meios mágicos…

Raças

Como é a distribuição de raças nesse mundo? Cada raça tem seu local próprio, e existe muito preconceito e desconfiança? Ou pessoas de diferentes raças se misturam livremente em grandes centros?

No nosso caso, vamos ficar com a segunda opção. Você tem tanta chance de ver um anão bêbado em uma taverna quanto um grupo de draconatos lendo o jornal e discutindo as notícias locais.

Preconceito é raro, e visto mais como uma peculiaridade individual do que social.

Religião

Normalmente em Dungeons & Dragons, é considerado que deuses existem e ativamente influenciam o mundo. Paladinos recebem poderes divinos de seus deuses, enquanto deuses malignos auxilíam na criação de exércitos de criaturas das trevas. Porém talvez no seu mundo os deuses são distantes, desinteressados nessa bola de terra, ou talvez até mesmo inexistentes.

No nosso caso, vamos seguir e linha mais conhecida e dizer que deuses estão lá e estão ativos. É possível se recusar a louvar um deus, porém negar a existência deles é loucura.

Política

Como é o cenário político nesse mundo? Reinos controlam vastas porções do continente, com dezenas de cidades e vilarejos que se sujeitam à dominação da capital? Ou o mundo é populado por cidades e vilas independentes, apenas tentando sobreviver?

No nosso caso, como escolhemos um mundo novo, vamos dizer que reinos exercem pouca influência no globo. Vilas são autônomas e não precisam pagar impostos à outra cidade, embora possam existir algumas pessoas interessadas em mudar isso…

Economia

Finalmente, a última coisa que precisamos definir é a economia do mundo. Ele funciona baseado em uma moeda em que todos já concordam ter valor, ou ainda é uma economia mais primitiva, baseada em troca de bens e serviços?

Apesar do nosso mundo ser novo, vamos dizer que todos já descobriram o valor do ouro, e a partir dele, moedas foram criadas. Apesar disso, a mesma quantia de ouro não possui o mesmo poder aquisitivo por todo o continente. Uma peça de ouro em um grande centro comercial vale muito menos que uma peça de ouro em uma pequena cidade remota.

E pronto! Agora que nós temos as principais características do nosso mundo definidas, podemos ir para a próxima parte.

Mapeando o Mundo

Todo bom mundo precisa de um mapa, e isso é mais fácil do que você provavelmente acredita! Para isso, vamos usar meu método favorito.

Vamos começar com um pedaço de papel em branco (no meu caso, um tablet gráfico e o meu computador), e vamos marcar alguns quadrados pequenos nesse papel. Estas serão as grandes capitais:

Untitled-1

A seguir nós iremos desenhar um círculo ao redor de cada um desses quadrados. Essas serão consideradas diferentes regiões:

Untitled-2Tendo isso, agora nós vamos traçar o litoral. Nós temos quatro círculos se juntando e dois separados, portanto teremos um continente dividido em algumas partes. Ao traçar, deixe sua mão um pouco solta. Litorais raramente são retos ou suaves, mas sim cheios de pontas e rasgos. Se estiver fazendo um continente com ilhas, tente imaginar como elas costumavam se encaixar com o continente principal. Após terminar, você pode apagar os círculos:

Untitled-3

Agora já temos uma boa base para começarmos a trabalhar! E é isso que veremos na parte 2 da série Criando um Mundo. Fique ligado!

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